domingo, 14 de julho de 2013
O Estagiário e a prática diarista: uma relação necessária
Nas discussões em sala, há uma solicitação que acompanha todo o percurso do Estágio: o registro das informações em um Diário de campo. Todavia, a finalidade não é o registro em si, mas as reflexões que aquelas primeiras notas podem despertar. O Diário de Campo/Bordo não deve ser compreendido como simplesmente uma caderneta de notas, mas um gênero construído ao longo de um significativo processo de ensino e aprendizagem, que despertará, no estagiário, reflexões, posicionamentos críticos, questionamentos etc. A importância dessa escrita sobre o fazer docente é tão efetiva que inúmeros educadores são diaristas.
Por esses motivos, sugerimos, a título de exercício da prática diarista, a escrita das impressões, dificuldades, dúvidas, receios, sugestões, experiências propiciadas pelas experiências da observação e regência. É interessante explicitar o período (observação ou regência) e qual o ano/nível (fundamental ou médio). Vamos lá!!!
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Observando e presenciando esta “loucura” que é o estágio, me veio outra inquietação, rs.
ResponderExcluirPor que as escolas-campo não são obrigadas a nos receber, mas nós somos obrigados a estagiar? E mais ainda, por que temos que estagiar apenas na cidade de Guarabira?
Sei que você Luana, já nos explicou inúmeras vezes a resposta da segunda pergunta. Mas a primeira fica para todos nós, estagiários e professores pensarmos com cautela sobre este momento.
Os obstáculos nessa etapa do nosso curso não são nada agradáveis, e muitos deles consistem em um problema difícil de lidar, visto que temos prazos tanta com a disciplina de estágio, como as demais do período.
É a escola dando desculpas mirabolantes, professores nada criativos para tentarem serem educados e não dizer logo que não nos querem, até mesmo para observar. E nós estagiários, correndo de um lado pro outro, tentando encontrar uma escola que nos acolha, tentando de todas as maneiras concluir as hora/aula num espaço de tempo que nos permita escrever nosso relatório.
Será que sempre vai ser desse jeito? Será que os professores que hoje estão em sala de aula não passaram pela experiência de serem estagiários? O que me parece, é que eles não passaram. Porque é desesperador ver o tempo passar, e você perceber que ainda faltam pelo menos 4 horas/aula para completar a carga horária exigida – ou quando não faltam mais –.
Só para deixar claro, eu acho de grande valia o estágio, é nesse período que poderemos por em prática tudo (ou melhor, o que achamos pertinente) que aprendemos na academia. É a hora de unir ideologias particulares, teorias e pratica; e assim termos um “gostinho” do que vamos enfrentar na nossa futura prática docente.
Mas se não temos onde estagiar como ficamos?
Jéssica,
ResponderExcluirAcho muito pertinente sua inquietação (e dos demais) e acredito que podemos aproveitar e realizar um fórum de discussão sobre essas questões. Primeiramente, precisamos reconhecer que o estágio é um espaço em construção, mais que convênio (UEPB e Escola-campo), parcerias que precisam ser firmadas, consolidadas, fortalecidas. A dificuldade de encontrar salas que acolham bem os estagiários é reflexo de problemas sérios, entre os quais se destaca a falta de clareza com relação às concepções que conduzem a prática de observação e regência. Na verdade, muitos estagiários, se perguntássemos hoje, qual o objetivo do Estágio enquanto um componente teórico-prático, não saberiam responder ou se valeriam de um senso comum perigoso e equivocado, imagine o professor que está já há alguns anos distante dessa realidade. São alguns professores de um lado, dificultando a entrada do estagiário por receio quanto à apreciação da sua prática de ensino, e alguns estagiários do outro, ávidos por cumprirem uma carga-horária sem maiores comprometimentos. Certamente, precisamos discutir, ler, produzir sobre esse cenário preocupante. Mas Estágio é isso, inquietação, intervenção, mudança, uma vez que precisamos nos reinventar quando a realidade da sala de aula não é aquela que almejávamos. E, de fato, nós precisamos desses laços, dessas horas-aula tão preciosas, desse ir e vir, desse fazer colaborativo que vai além das equipes formadas em sala, mas que envolve inúmeros sujeitos em uma cadeia bem mais complexa. Temos onde estagiar, mas reafirmo: precisamos contribuir com a construção desse espaço através de um envolvimento, cada vez mais, consciente do que desejamos alcançar neste nosso percurso. Vocês concordam?!
Acreditamos que os obstáculos surgidos ao longo do estágio são decorrentes de experiências vividas pelos docentes das escolas campos e que cabe a nós desconstruirmos qualquer decepção ou contrariedade que estes possam ter adquirido ao longo do tempo, acarretando assim em uma melhor receptividade aos futuros estagiários; por exemplo: por que nós enquanto estagiários, ao invés de reproduzirmos o "senso comum" nos nossos relatórios, e muitas vezes sendo inadequados com aqueles que nos receberam não procuramos enquanto educadores detectar o problema estrutural e buscar conjuntamente a solução? Eu particularmente, se estivesse em sala de aula, receberia sem problemas os estagiários, no entanto, seria condição minha ver o relatório antes que o mesmo fosse entregue e a recepção de outros dependeria do que eu visse. Acho injusto estarmos nas salas, observando os professores (quando na verdade o alvo é a estrutura e não o docente) e depois reproduzirmos o que bem entendemos sem que os mesmos saibam o que foi dito.
ResponderExcluirSem falar no fato de que muitas vezes criticamos tanto o que está sendo feito na sala aula, mostramos erros, apontamos recursos ultrapassados... e não muito tempo depois, estamos exercendo a docência e repetimos o padrão antes criticado, quando éramos acadêmicos. POR QUÊ? POR QUE NA MAIORIA DAS VEZES AQUELES QUE TANTO CRITICARAM OS PROFESSORES QUANDO ESTAGIÁRIOS, AO CHEGAREM À SALA DE AULA REPRODUZEM O QUE TANTO "DETONARAM"???
ResponderExcluirÓtimos comentários já citados, com intuito de acrescentar e não repetir os comentários já citados, observei durante minha regência a importância de um professor, nessa nova fase de descoberta na acadêmia´observamos e regenciamos pessoas(alunos), que de fato tem sentimentos, até mesmo pela experiência tida de uma turma doo EJA, analisei motivos pessoais, cuja suas realidades retrazem características de alunos que são pai ou mão de família, que trabalham, sofrem ausência na família de motivações e exemplos voltado para educação etc; de fato, uma solução para isso, jammais irá ser um professor com métodos e práticas tradicionais, mas sim, um professor que de principio sensibilize com refleexões de como eles são? e como podem ser? e os fatores que tangeceiam ambos. Por fim, empero sem medo d eser feliz, usar métodos e práticas voltados para um ensino que sensibilize com reflexões sociais, em cima disso motivando-os e interacionando ensino/aprendizagem, zelando pela ética e compromisso em sala de aula, sempreee análisando as condiç]oes do "eu" dentro e fora da escola.
ResponderExcluirAlgumas dúvidas e impressões aqui ja citadas, refletem muito do que penso. Não sei se isso aconteceu com voces, mas assim que consegui me veicular a uma escola e comecei o estagio supervisionado, fui aceita sem mais delongas pelo professor, no entanto, houve uma tensão por parte da classe e do professor que não escondia a sensação de estar sendo vigiado, monitorado. A sensação que tive foi de intrusa, volta e meia o professor ao explicar os assuntos para a turma olhava pra mim, como se estivesse pedindo um consentimento, olhava pra mim e gesticulava como se esperasse um afirmação ou volta e meia observava se eu estava anotando alguma coisa no caderno (o que é obvio não fiz, pra não deixar a situação mais "tensa"). Confesso que a primeira impressão que tive do Estágio não foi das melhores, e como a professora falou essas idas e vindas, essas experiencias na escola-campo são necessárias para que nós possamos enxergar um pouco além do que entendemos por sala de aula.
ResponderExcluirOutra coisa que me aborrece em relação ao estágio é a bendita carga horaria pra ser cumprida, como Jessica ja falou anteriormente, não temos apenas o estágio para cumprir como disciplina, há outras preocupações, outros trabalhos a cumprir referente as demais cadeiras, no entanto, acredito que a pressão de cumprir as benditas horas aulas deixa o Estágio tenso tambem para os estagiários que entram em desespero quando as escola entram em recesso, como foi o caso desse semestre, ou quando não há aulas na escola justamente no dia do seu estágio, ou quando simplesmente, os alunos não comparecem para assistir a aula. aí eu e pergunto qual a posição que a UEPB toma em relação a esses contratempos ???
ResponderExcluirMinha observação ou indagação é a seguinte: Por que no período acadêmico não aprendemos os conteúdos específicos para executarmos ou ministrarmos uma aula conforme pede o campo/escola? Por que não somos preparados a lhe dar com os discentes e suas inquietações? São perguntas que nem mesmo a instituição saberá responder. Mas o fato é que, aprendemos na vida acadêmica que os PCNs falam uma coisa e o corpo docente faz outra. Mas, vou tentar explicar alguns que me permeiam. Um dos motivos que eu acho pra essa falta de preparação, é a velha grade curricular da UEPB, que em minha opinião não atende mais ao grande desafio de mandar professores capacitados pra as redes de ensino, para pelo ao menos enfrentar uma parte do que lhe espera em campo. Já que seu dia será sempre uma caixinha de surpresa.
ResponderExcluirOutra coisa que me deixou atenta na regência é que a educação nunca caminhou sozinha, por que iria caminhar agora? Há toda uma mobilização pra seu acontecimento, começando pela mobilização familiar. Quando a família se envolve com o corpo escolar tudo muda. Criança bem na escola é sinal que tudo está bem também a sua volta. A degradação dessa grande instituição, também fez os rendimentos escolares caírem. Contudo, observo a grande carência humana nos discentes. Bastou tratarmos com atenção, chegarmos mais junto, deixar de lado a educação tradicional de professor autoritário, pra todos se envolveram na aula e participarem.
São crianças e adolescentes cada vez mais prejudicados por uma sociedade injusta e famílias que perderam seus valores.